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Líderes da área de Relações Externas da Shell visitam o Projeto Quipea na Comunidade Quilombola de Baía Formosa - Armação dos Búzios

15/04/2019

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II Intercâmbio Cultural Quilombola

11/10/2015

II Intercâmbio Cultural Quilombola

 

Campinho da Independência, em Paraty, foi o primeiro quilombo do estado do Rio a conseguir o título de sua terra durante ainda durante a década de 90. Desde então, a comunidade não pára de conquistar seu próprio espaço através de muito trabalho, militância e organização coletiva. Sede do Segundo do Intercâmbio Cultural Quilombola, em setembro de 2015, o Campinho recebeu lideranças das 20 comunidades do QUIPEA em três históricos dias de aprendizado e troca de saberes. Oficinas, caminhadas ecológicas e muita festa marcaram o período da vivência; que ajudou a fortalecer os laços de amizade, respeito e irmandade entre os quilombos envolvidos.

 

 

Roda de Jongo e Rap Quilombola

 

Logo após a chegada dos comunitários, uma grande roda de conversa se formou para boas vindas e anúncio das atividades que aconteceriam nos dias seguintes. Na sequenncia, o tradicional Jongo do Campinho começou a ser jogado noite adentro. Laura Maria dos Santos, do núcleo de educação do Quilombo anfitrão, explicou sobre a dança sagrada e exaltou sua representatividade na história da luta quilombola ao redor do estado do Rio. A primeira noite do Intercâmbio Cultural foi embalada pela combinação entre o giro das saias e o batuque da percussão. Dessa forma, os representantes das 20 comunidades do QUIPEA puderam dançar como seus antepassados num momento de preservação da memória, tradição e respeito as suas próprias origens. 

A segunda noite do intercâmbio foi de atitude, memória e mistura de ritmos. A banda Realidade Negra, grupo de rap formado apenas por comunitários do Campinho, tem em suas letras diferentes menções a causa quilombola ao redor do Brasil e pôde apresentar suas músicas no Palco do Intercâmbio. Ao longo do show da banda, os comunitários do QUIPEA puderam ouvir o nome de seus próprios quilombos citados nas canções em tom de irmandade e respeito, fator que ajudou a ressaltar o respectivo reconhecimento de cada uma das comunidades cantadas pela voz de um quilombo irmão.

 

 

Caminhadas ecológicas

 

Em dois dias de caminhada por diferentes áreas do Quilombo, os comunitários puderam trocar experiência sobre o cultivo de plantas medicinais e diferentes formas de colheita. Com passagens pelas Casas de Farinha e  Artesanato do quilombo, os passeios ajudaram a contar a história do Campinho aos comunitários do QUIPEA e também a estimular a troca de saberes entre as respectivas comunidades. No segundo dia, uma intensa oficina de plantação pôde apresentar os processos de agricultura orgânica e sustentável. Waguinho, oficineiro responsável pela atividade, pôde apresentar aos comunitários do QUIPEA os benefícios e dilemas da agricultura familiar e livre de agrotóxicos. 

 

 

Oficinas de Cestaria e Rima

 

Duas oficinas simultâneas apresentaram aos representantes das comunidades do QUIPEA diferentes vertentes do poder de criação quilombola. O artesanato, prática extremamente importante na estruturação da economia sustentável de várias comunidades, esteve representada através do ensino da cestaria. Na atividade, comunitários do QUIPEA puderam aprender o processo de confecção do produto de forma não industrial e, em pouco mais de uma hora, puderam criar cestas de palha produzidas com as próprias mãos. Em outra parte do Quilombo, uma enorme roda se formou e o grupo Realidade Negra ministrou uma oficina de rima aos comunitários do QUIPEA. A atividade apresentou a relação entre a cultura do rap com a causa negra ao redor do planeta e estimulou o grupo a compor uma letra que exaltasse a união das comunidades do QUIPEA. 

 

Roda de Conversa e a sabedoria dos Griôs

 

Diferentes rodas de conversa se armaram ao longo dos dias do II Intercâmbio Quilombola, mas duas delas se destacaram pelo grau de importância e interatividade que tiveram entre os comunitários do QUIPEA e os núcleos de trabalho do Campinho. A primeira delas foi a conversa com os Griôs. Como em toda comunidade remanescente de Quilombo, o Campinho reforça e exalta a sabedoria dos mais velhos e  num importante momento de respeito a história da comunidade, os comunitários do QUIPEA ouviram conversas contadas pelo Griô Seu Antônio. Residente na comunidade há mais de 80 anos, ele pôde contar as transformações e conquistas do Quilombo ao longo dos anos e o momento de troca de saberes emocionou não apenas os comunitários do QUIPEA como também os membros da equipe executora do projeto e da própria Shell.

 

 

Paraty Mirim e Encerramento

 

No último dia, o grupo saiu do quilombo e  visitou a localidade de Paraty Mirim. A região é a área onde os navios negreiros aportavam por aquele ponto do Rio de Janeiro no período da escravidão. Na visita, além de mergulhar na praia, os representantes das comunidades puderam conhecer a chamada ''Casa de Engorda'', local onde os escravos eram instalados assim que chegavam na cidade. O passeio pôde ajudar a exaltar a memória e respeito pelo sofrimento dos antepassados das comunidades, que agora lutam juntas por liberdade. 

Depois de retornar ao Campinho, uma cerimônia de encerramento coroou o fim dos dias de aprendizado e amizade no sul fluminense. As coordenadoras de campo do QUIPEA, Rejane Maria e Lucimara Muniz, ao lado da articuladora social Tânia Ferreira, apresentaram o vídeo da árvore da Memória e comentaram sobre a experiência dos dias de Intercâmbio. Em seguida, comunitários do Campinho também trocaram agradecimentos e uma noite de muito samba e alegria encerrou os inesquecíveis dias de troca entre as comunidades envolvidas.

 

 

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A realização do QUIPEA é uma medida mitigadora exigida pelo Licenciamento Ambiental Federal conduzido pelo IBAMA.