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Líderes da área de Relações Externas da Shell visitam o Projeto Quipea na Comunidade Quilombola de Baía Formosa - Armação dos Búzios

15/04/2019

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Terceiro Evento Cultural Quilombola chega ao Espírito Santo e homenageia griôs

12/11/2015

 

O Espírito Santo foi a capital nacional da luta Quilombola durante os dias 5 e 6 de dezembro. O Terceiro Evento Cultural do QUIPEA, realizado pela primeira vez no estado nas comunidades vizinhas de Cacimbinha e Boa Esperança, reuniu cerca de 1300 pessoas e fortaleceu as raízes da resistência negra no Brasil. Com a temática voltada para a Educação Quilombola, homenagem aos griôs e apresentação de expressões culturais de todas as comunidades do projeto, o Evento promoveu uma rica troca de saberes entre comunitários, representantes do poder público, equipe Shell e curiosos.

 

"Este local nunca mais será o mesmo. Fico emocionada de ver tanta gente aqui onde vivo. Cacimbinha e Boa Esperança, mais do que nunca, respiram a luta Quilombola". Com esta frase, Tânia Ferreira, articuladora social do projeto e moradora e Boa Esperança, um dos quilombos anfitriões, refletia o clima de emoção dos donos da casa. Pela primeira vez na história, aquele que já vem sendo chamado por alguns comunitários de 'maior evento quilombola do Brasil', chegou ao Espirito Santo no Município de Presidente Kennedy. Quem caminhava pelo campo de futebol do quilombo de Cacimbinha, local onde ocorria o evento, podia reparar por várias partes do ambiente quais eram os grandes homenageados na festa. Com 20 grandes fotos no chão, simbolizando a relação dos quilombolas com a terra, os griôs eram representados em preto e banco. As imagens, que ilustravam os rostos das figuras mais antigas e contadoras de histórias em cada comunidade, exaltavam aqueles que tradicionalmente ensinam através da oralidade. ''Seu Antônio'', figura icônica do quilombo de Botafogo, em Búzios, era um dos homenageados e estava na festa para receber a condecoração e presente. Animado, o griô demonstrava descontração ao falar da homenagem que recebia:

 

- Eu hoje vim assim bonitinho porque vim ver meus amigos todos. Recebo esta homenagem muito honrado – brincava o griô de 83 anos, enquanto falava em entrevista a TV Gazeta, afiliada capixaba da Rede Globo.

 

    As homenagens e manifestações do evento foram destaque na mídia local. Os griôs, além das fotos, receberam placas de agradecimento pelo conhecimento transmitido através da oralidade. Não é todo dia que 20 expressões culturais variadas trazendo a diversidade de cultura negra se juntam no mesmo lugar. Jongo, Capoeira, Quadrilha, artesanato, músicas típicas, culinária e outras vertentes da cultura quilombola chamaram tanto a atenção tanto de comunitários de Cambimbinha e Boa Esperança, quanto da imprensa local. O trabalho, preparado pelo departamento cultural ao longo de três meses, reuniu representantes da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Quilombolas, equipe da Shell, gestores públicos, mídias ligadas a causa quilombola e trouxe orgulho e visibilidade aos quilombos anfitriões. Leonardo Santos, um dos responsáveis pela articulação e curadoria do evento no Departamento Cultural Quilombola e residente dos quilombos que abrigavam o evento, reforçou a importância da data e exaltou a felicidade de poder ajudar areforçar a cultura negra no Brasil dentro de sua própria casa:

 

- Trabalhamos durante três meses preparando a forma como o evento se apresentaria. Já é tradição: todo Evento Cultural do QUIPEA tem a cara de cada comunidade e hoje não foi diferente. Cacimbinha e Boa Esperança puseram sua própria identidade neste evento e é um dos dias mais felizes da minha vida – concluía Leonardo, emocionado, que ainda fez questão de ressaltar a presença de sua avó no evento. Segundo ele, a confraternização foi a primeira vez que sua parente pôde sair de casa depois de quase 1 ano reclusa e justo nesta data os mais idosos de cada comunidade foram homenageados.

 

Essa relação e escolha do tema do evento homenageando os mais velhos partiu de um processo coletivo. Em intensas reuniões semanais que aconteciam em diferentes comunidades do projeto, o Departamento Cultural Quilombola, que conta com quilombolas do Rio de Janeiro e Espírito Santo, definiu o tema, escolha da culinária, estrutura de trabalho e demais formas de produção do evento. Este processo, que envolveu equipe executora, equipe Shell, articuladores locais do projeto, foi um marco na formação coletiva e profissional de muitos integrantes do QUIPA. Uma equipe alinhada pôde assumir a responsabilidade de organizar do início um evento deste porte. A analista de Relações Externas da Shell, Mariana Barreto, acompanhou de perto todas as reuniões e reforçou a importância do processo articulado no sucesso final do evento:

 

- As reuniões tiveram representantes das comunidades da Região dos Lagos, Norte Fluminense e sul do Espírito Santo. Nelas, nós definimos o tema do evento e a partir daí comparamos valores de fornecedores, decidimos sobre camisas, culinária e também sobre a equipe de trabalho, composta majoritariamente por membros do quilombo anfitrião. Nestas reuniões também definimos instituições e convidados que fariam parte da mesa redonda – finalizou Mariana, reforçando a autonomia dos comunitários no processo de concepção do evento e tema abordado.

 

Educação Quilombola em debate

 

No sábado, véspera da grande festa no campo do quilombo de Cacimbinha, uma importante mesa de debates sobre o desenvolvimento da educação Quilombola ao redor do Brasil aconteceu e também abordou outros importantes temas de discussão do movimento. Nela, Ronaldo dos Santos, representante da CONAQ e membro do quilombo parceiro do Campinho da Independência, de Paraty-Rj  mediou o debate. A roda de conversas teve a participação de Domingas Dealdina, representando a Secretaria do Estado de Cultura do Espírito Santo e Kátia Penha representando a Coordenação Estadual Quilombola Zacimba Gaba.  A mesa também contou com gestores da Secretaria Municipal de Educação de Presidente Kennedy e com representantes do projeto QUIPEA como Leonor Araújo, coordenadora pedagógica e Tania Ferreira, articuladora social do projeto e residente dos Quilombos de Boa Esperança e Cambimbinha.

 

Durante o debate, também foi apresentado um vídeo enviado pelo Ministério da Educação. Nele, o responsável pela Coordenação Geral de Educação nas Relações Raciais, Rodrigo de Jesus, acompanhado da professora e também integrante da mesma coordenação, Maria Auxiladora Lopes, falaram a respeito da educação Quilombola, saudaram os comunitários do QUIPEA e traçaram um panorama de avanços neste tipo de educação no país fortalecendo os laços e debates sobre o tema.

 

Durante mais de 5 horas de conversa, diferentes esclarecimentos sobre os rumos deste tipo de educação no país foram trabalhados entre os comunitários para que no segundo dia a aplicação prática deste tema fosse apresentada no evento através de várias linguagens. Para a analista de relações externas da Shell e responsável pelo projeto QUIPEA, Suely Ortega, a escolha do tema e pautas debatidas representam um importante passo no alinhamento dos comunitários com a proposta do projeto desde sua criação:

 

- O QUIPEA é parte de um processo de licenciamento ambiental pautado na educação. A escolha deste tema de caráter educativo como base do Terceiro Evento Cultural mostra que os comunitários têm compreendido o que norteia a existência do projeto– comentou Suely, que também reforçou a riqueza e complexidade do trabalho com os quilombolas.

 

O Terceiro Evento Cultural do QUIPEA encerrou a agenda do projeto em 2015 com avanços, trabalho e fortalecimento. Atuante desde 2010, o QUIPEA se prepara para entrar em sua próxima fase, em meados de 2016, quando o fortalecimento e caminhos para autonomia das comunidades se dará de forma intensa e prática.  

 

Sobre a Educação Quilombola, tema do evento

 

Como lembrado anteriormente pelo site do QUIPEA, diferente da educação no campo, que também tem uma estreita ligação com valores da terra, a educação quilombola é voltada para a ancestralidade, tradição e construção de identidade. Até mesmo a merenda quilombola é particular: tem cardápio alimentar que prioriza a sustentabilidade e diversificação agrícola e deve corresponder a no mínimo 20% das necessidades nutricionais diárias de quem a consome. Neste modelo de formação, não somente o preparo para a vida profissional, mas o desenvolvimento de valores humanos e coletivos são ressaltados. A educação quilombola é um conceito que passou a ser desenvolvido graças aos diálogos oriundos das garantias legais de direitos a povos e comunidades tradicionais pautadas prioritariamente na convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, que garante direitos fundamentais dos povos tradicionais. No Brasil, as diretrizes da educação quilombola são pautadas nos Decretos Federais 4887/2003 e o 626/2007, que impõem  a garantia de direitos e a implementação de uma Agenda Social Quilombola que respeite as considerações de acesso a terra, infra-estrutura e qualidade de vida, inclusão produtiva, desenvolvimento local e cidadania.

 

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A realização do QUIPEA é uma medida mitigadora exigida pelo Licenciamento Ambiental Federal conduzido pelo IBAMA.