top of page

Lideranças quilombolas dialogam sobre Plano Macro, Período de Transição e protocolos de consulta, durante encontro de culminância 2025 do projeto Quipea

  • há 8 horas
  • 3 min de leitura

Representantes de comunidades quilombolas participantes do Projeto Quipea participaram de um encontro nos dias 13 e 14 de dezembro de 2025, no Rio de Janeiro, para receber atualizações e dialogar sobre o Plano Macro, discutir ações sobre o Período de Transição do projeto e avançar no planejamento do apoio à elaboração de protocolos comunitários de consulta. O encontro contou com cerca de 40 lideranças quilombolas de 21 comunidades, além da equipe técnica do projeto e representantes do Ibama e da Shell.



Representantes quilombolas no 1º Encontro de representantes das 21 comunidades quilombolas do Quipea, Rio de Janeiro (RJ).
Representantes quilombolas no 1º Encontro de representantes das 21 comunidades quilombolas do Quipea, Rio de Janeiro (RJ).

A atividade se iniciou com exposição dialogada do Programa Macrorregional de Comunicação Social (PMCS), pela Shell, tratando dos principais impactos e medidas de mitigação dos empreendimentos da empresa na Bacia de Campos, dentre as quais se inclui o Quipea, Destaque para a apresentação dos dados do boletim do Programa Macrorregional de Caracterização de Rendas Petrolíferas (PMCRP), destacando a participação dos royalties na economia municipal. Durante a conversa, os participantes discutiram sobre a importância do controle social do orçamento público, da formação política das lideranças e do fortalecimento das associações quilombolas para ampliar a autonomia e a incidência nos espaços institucionais.


A seguir, foram feitas atualizações sobre o Plano Macro — Plano Macrorregional de Gestão de Impactos Sinérgicos das atividades de petróleo e gás nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo. De acordo com o representante do Ibama, o plano busca integrar as ações de mitigação de impacto das operadoras na região.  Ele ainda reforçou que, além do Plano Macro, os Projetos de Educação Ambiental são uma política pública e um direito das populações impactadas.


Anderson Vicente (Analista do Ibama) e Suely Ortega (Assessora Sênior de Performance Social - Shell)
Anderson Vicente (Analista do Ibama) e Suely Ortega (Assessora Sênior de Performance Social - Shell)

No segundo dia, o evento contou com a condução do consultor para a atividade de Apoio à Elaboração de Protocolos de Consulta, Leandro Sacramento, que abordou o direito à consulta livre, prévia e informada de comunidades tradicionais. Segundo ele, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) estabelece a obrigatoriedade da consulta sempre que medidas administrativas ou empreendimentos possam gerar impactos diretos ou indiretos sobre povos e comunidades tradicionais.

Durante a atividade, foi destacada a importância dos protocolos comunitários de consulta — documentos elaborados pelas próprias comunidades que definem regras, procedimentos e formas de participação em processos de consulta conduzidos em seus territórios, por solicitação do governo.


O principal debate desse dia abordou a forma de organização das comunidades participantes do Quipea para a elaboração dos protocolos. Segundo participantes do encontro, o desafio foi equilibrar a autonomia de cada território com a possibilidade de atuação coletiva. Assim, ficou definido que os documentos poderão ser construídos por agrupamentos territoriais formados por comunidades com históricos, identidades e impactos semelhantes, sem impedir que cada quilombo possa solicitar itens específicos nos processos de consulta.


Leandro Sacramento (Pel), Consultor para a atividade de Apoio à Elaboração de Protocolos de Consulta.
Leandro Sacramento (Pel), Consultor para a atividade de Apoio à Elaboração de Protocolos de Consulta.

As comunidades quilombolas do Quipea se organizaram em seis agrupamentos:

  1. Sobara, Preto Forro e Maria Romana;

  2. Botafogo, Maria Joaquina, Rasa e Baía Formosa;

  3. Bacurau, Boa Vista, Machadinha, Mutum e Sítio Santa Luzia;

  4. Aleluia, Batatal, Cambucá e Conceição do Imbé;

  5. Deserto Feliz e Barrinha;

  6. Boa Esperança, Cacimbinha e Graúna.


Representantes quilombolas no 1º Encontro de representantes das 21 comunidades quilombolas do Quipea, Rio de Janeiro (RJ).
Representantes quilombolas no 1º Encontro de representantes das 21 comunidades quilombolas do Quipea, Rio de Janeiro (RJ).

Encerramento

Ao final do encontro, os participantes destacaram a importância dos espaços de diálogo para a troca de experiências e o fortalecimento da articulação entre os territórios. Também foram apresentadas suas expectativas em relação às próximas etapas do Plano Macro e ao processo de construção dos protocolos comunitários.

A atividade marcou mais um importante passo no fortalecimento dos representantes quilombolas e na articulação entre as diferentes comunidades. Assim o Quipea encerrou suas atividades em 2025, com uma agenda recheada de compromissos para 2026!




[1] Plano Macro, instituído pelo Ibama, é o Plano Macrorregional de Gestão de Impactos Sinérgicos das atividades de petróleo e gás nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo. Trata-se de uma estratégia de gestão para monitorar e mitigar os impactos nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo.

 
 
 

Comentários


bottom of page