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Rodas de conversa, desafios entre gerações e manifestações culturais marcam o Apoio ao 20 de novembro de 2023

Atualizado: 22 de fev.

Entre os dias 11 e 26 de novembro de 2023, 17 comunidades quilombolas, com o apoio do Quipea, realizaram diversos encontros e atividades para refletirem sobre o Dia da consciência Negra. O Novembro Negro foi celebrado como momento de união de diferentes gerações e comunhão de saberes e sabores quilombolas.


Banner do Apoio ao 20 de novembro – manifestações da consciência negra do Quipea


Aqui destacamos alguns desses encontros de reflexão e orgulho quilombola, nas diferentes regiões do Quipea.


Na região dos Lagos houve apresentação de danças tradicionais, capoeira e debates com temas relevantes sobre a participação da população negra na construção da sociedade brasileira.


A comunidade de Preto Forro (Cabo Frio – RJ) se destacou ao inovar trazendo o jogo “Torta na Cara” com perguntas e respostas sobre a comunidade. As famílias foram divididas por núcleos familiares que se desafiavam entre si para responder questões como a data de titulação do território, o significado do nome “Preto Forro”, entre outras. Cada núcleo que deixasse de responder corretamente, levava uma tortada de chantily. Houve também bingo e apresentação de dança, que animou toda a comunidade e trouxe integração entre as famílias.


Em Botafogo (Cabo Frio- RJ), a celebração começou com uma roda de conversa comandada pelo presidente da Associação Quilombola, Josué Ribeiro da Costa, e serviu como alerta para a importância da garantia das terras nas mãos das famílias quilombolas. Jandir Dutra, filho de sr. Genil Dutra, reforçou que a educação sobre a negritude deve começar na infância, em ambiente familiar e nas escolas. “Precisamos ser iguais no que nos diferencia em direitos, e isso se chama equidade” – ressaltou. O bate-papo foi seguido de uma deliciosa feijoada.


Já em Baía Formosa (Armação dos Búzios - RJ), a festividade foi realizada na tradicional terra de onde a comunidade foi expulsa na década de 70, e cuja posse foi retomada no ano de 2022. A celebração contou com um delicioso café quilombola, seguido de uma roda de conversa contando a história sobre a terra. Lideranças locais como José Ricardo Bemquerer, presidente da Associação Quilombola, e Elizabeth Fernandes, representante da Associação das Comunidades Quilombolas do Rio de Janeiro (AQUILERJ) e de outras instituições da região estiveram presentes e puderem compartilhar os seus saberes. Dona Maria de Cássia Nascimento fechou o encontro cantando músicas tradicionais da cultura quilombola.


Em Sobara (Araruama – RJ), a roda de conversa teve como tema a manutenção da identidade quilombola no território. Em Maria Joaquina (Cabo Frio – RJ), o desfile de moda mais uma vez teve destaque, assim como uma entusiasmada conversa sobre educação antirracista. Já em Maria Romana (Cabo Frio – RJ), um memorial expositivo, composto por fotografias dos moradores da comunidade, fez jus à celebração do 20 de novembro. E Na Rasa (Armação dos Búzios – RJ) o tradicional batizado de bonecas marcou presença.


Jogo “torta na cara” com perguntas e respostas sobre a comunidade de Preto Forro (Cabo Frio-RJ)


Roda de conversa realizada em Baía Formosa, Armação dos Búzios - RJ


No Norte Fluminense, nas comunidades de Aleluia, Batatal e Cambucá (Campos dos Goytacazes- RJ), as reflexões começaram com contação de história durante a caminhada educacional ao açude e casa de farinha da comunidade. Houve também uma roda de conversa sobre o combate ao racismo com os griôs e um bate-papo sobre a importância da agricultura familiar e das ervas medicinais. A celebração foi finalizada com a gincana “Memorial do Quilombo”, que propôs o resgate do acervo das comunidades a partir dos objetos que retratam a história local.


Em Conceição do Imbé (Campos dos Goytacazes – RJ) houve um resgate histórico e apresentação da quadrilha comunitária para animar a reflexão sobre o 20 de novembro. Já a comunidade de Santa Luzia, do quilombo Machadinha (Quissamã – RJ), apresentou como tema de conversa a importância do patrimônio histórico-cultural, com apresentação de

fotografias.


Em Batatal, as comunidades de Aleluia, Batatal e Cambucá fazem uma caminhada educacional e conversam sobre o combate ao racismo com griôs (Campos dos Goytacazes-RJ)


Na região de São Francisco de Itabapoana com Espírito Santo o 20 de novembro trouxe grande participação de crianças e jovens. Nas comunidades quilombolas de Cacimbinha e Boa Esperança (Presidente Kennedy - ES) o evento iniciou com um maravilhoso café da manhã, seguido de roda de conversa que teve como objetivo relembrar os ancestrais, entendendo a origem das duas comunidades. O dia também contou com um desfile de valorização da beleza negra, com das crianças da comunidade, , e uma a apresentação do grupo de Jongo Mãe África Pátria Amada Brasil. Após a apresentação, foi feita uma homenagem aos antigos jongueiros das comunidades, alguns ali presentes, outros em memória, representados por familiares. Para finalizar a atividade, houve a apresentação do grupo Capoeira do Quilombo.

Em Graúna (Itapemirim – ES) uma fala sobre ancestralidade, destacando os griôs da comunidade, ilustrou o tema da mesa-redonda, Resistência Negra e Raízes Quilombolas. A atividade contou com apresentação de grupo de dança "Raiz Quilombola", de capoeira e de cantores locais.

Na comunidade de Deserto Feliz (São Francisco de Itabapoana – RJ), a comunidade recebeu a equipe executora com afeto e musicalidade. Mais uma vez as mulheres e crianças do Jonguinho cativaram com as canções antigas, entoadas pelo batuque dos tambores. Seu Cicinho, griô da comunidade, animou-se para cantar e alegrar a todos. Em Barrinha (São Francisco de Itabapoana – RJ) houve roda de conversa na sede da Associação Quilombola.


Jonguinho de Deserto Feliz (São Francisco de Itabapoana – RJ)



Roda de conversa sobre o resgate histórico das comunidades quilombolas de Cacimbinha e Boa Esperança

(Presidente Kennedy – ES)


Em Barrinha (São Francisco de Itabapoana – RJ) houve roda de conversa na sede da Associação Quilombola, com um almoço de encerramento.

As manifestações culturais do Apoio ao 20 de novembro fazem parte de um dos objetivos específicos da Fase 4 do Quipea. Elas reforçam a autonomia das comunidades para a garantia de direitos em seus territórios e para a continuidade de seus modos de vida e de produção tradicionais.

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